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Coders: Seu produto é resultado

Por que a conversa com Carlos Levir mostra como um negócio de serviço vira sistema escalável quando você desenha a jornada inteira do cliente.

Olá, sou o Luiz. Com a venda da minha startup tenho atuado como advisor, apoiando founders na jornada de amadurecimento dos negócios. A kamelo é o espaço onde compartilho aprendizados (e práticas) do meu dia a dia, tudo focado na consolidação das startups no mercado. O conteúdo é autoral e aberto à colaboração, me chame aqui ou pelo LinkedIn.


A maioria dos founders gosta de pensar em escala como “mais aquisição”, “mais tráfego”, “mais SDR”, “mais budget”.

Mas tem um atalho ignorado que muda tudo: resultado percebido.

Na conversa com o Carlos Levir (@LinkedIn), fundador da Coders, a tese aparece sem firula: quando você trata serviço como “entrega pontual”, você vira refém de venda. Quando você trata serviço como produto, você vira refém de… evidência.

E evidência é o que reduz churn, aumenta indicação e cria marca.

Se você lidera uma startup (ou um negócio em transição para um modelo mais escalável), esse episódio vale por um motivo simples: ele te obriga a encarar a pergunta que mais dói.

Você está vendendo promessa ou está vendendo transformação?

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A jornada do Carlos

O Carlos começa como desenvolvedor. Programador desde os 18 anos, nascido no interior do Ceará (Marco) e com trajetória passando por Fortaleza até chegar em Floripa, onde a Coders abriu escritório e acelerou expansão.

E tem uma virada que interessa diretamente a qualquer fundador: a empresa cresce mais rápido do que a pessoa consegue crescer. Aí você paga o preço em cultura, execução e liderança.

Na fala dele, isso vira um princípio: o founder precisa ser a referência que continua evoluindo, porque a companhia muda de patamar antes da sua identidade acompanhar.

O que é a Coders

A Coders atua no lado B2C. O cliente final é o profissional de tecnologia que quer acessar o mercado internacional.

Esse detalhe importa porque o posicionamento foge do padrão “outsourcing que vende para empresa”. O Carlos é direto: quando a empresa é o cliente, a prioridade vira a empresa. E isso pode significar taxa em cima do profissional, pressão de margem, e decisões que não protegem quem está executando. A Coders tenta inverter isso.

Em termos de produto, a sacada é ainda mais didática.

Ele descreve o começo como algo que muitos founders vão reconhecer: “quatro aulas”, o expert ensinando, a venda acontecendo. Só que, ao acompanhar os alunos, veio o choque: vender não era o problema. Resultado era.

A partir daí, a Coders deixa de ser “curso” e vira sistema.


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A arquitetura do produto

O insight mais útil do episódio é o seguinte:

Quando você mede resultado, você enxerga que a jornada real tem gargalos que não são “conteúdo”.

Alguns são técnicos. Muitos são comportamentais.

O Carlos fala que prefere deixar de vender a vender sem garantir taxa de sucesso. Isso não é frase bonita. É estratégia de sobrevivência em negócio de serviço.

E aí entram as peças do produto.

1) Inglês é gargalo estrutural

Ele cita um dado duro: se 5% fala inglês, 95% não fala. E mesmo em tecnologia o número “não melhora muito”. A resposta da Coders não é mandar o aluno “se virar”. É incorporar inglês como parte do produto, com coordenação pedagógica e rotina de aulas (cerca de 15 por dia).

2) Confiança também é infraestrutura

O episódio fica ainda melhor quando ele assume o óbvio que o mercado finge não ver: muita gente trava por insegurança, síndrome do impostor e falta de confiança.

A Coders colocou uma psicóloga dentro do produto para destravar esse ponto e combinou isso com mock interviews, análise das entrevistas e feedback de postura e comunicação.

E ele crava algo que serve pra qualquer founder que contrata ou vende: entrevista não avalia só capacidade técnica. Avalia postura, comunicação e confiança.

Ou seja, o “produto” não é só ensinar. É destravar.

O momento do mercado

A Coders opera numa onda real. E a leitura do Carlos é pragmática.

A pandemia “arrombou a porta” do remoto e fez empresas compararem custo e acesso a talento. Se eu pago X em Palo Alto, por que não pagar menos em outra geografia? Por que não pagar ainda menos no Brasil?

Ele complementa com uma observação relevante: o Brasil aparece como um dos grandes celeiros da América Latina para exportação de profissionais de tecnologia.

E mesmo com RTO, a tese é que o patamar pós pandemia ficou acima do pré pandemia. Não é euforia. É uma base maior.


Deixa te contar uma novidade!

Voltei a empreender com produto digital. Lancei ontem o Olá Nuno, plataforma para dar suporte integral e individualizado aos profissionais autônomos e quem trabalha como PJ. Perfis que, quase sempre, não dedicam tempo de qualidade para o autocuidado físico e mental. Estou desenvolvendo o produto todo em Lovable (em breve trarei mais informações sobre isso), se você quer começar a testar novos produtos em Lovable pode começar essa jornada por aqui.


Métrica: conversão, tempo e foco

A Coders acompanha o que importa.

O Carlos cita uma taxa de conversão em torno de 55% e um prazo médio de 3,5 a 4 meses para colocação internacional, com 79% das contratações puxadas pelos EUA.

E define uma ambição objetiva para 2026: colocar mais de 500 profissionais no mercado internacional.

Isso é interessante para founders por um motivo simples: aqui tem uma empresa de serviço tentando operar com disciplina de produto.

E o investimento?

A conversa não vende fantasia de “SaaS ou nada”. Ela mostra algo mais útil: um negócio de serviço pode ter lógica de escala quando vira sistema, quando mede conversão, tempo de ciclo e remove atrito da jornada ponta a ponta.

Se isso vira venture scale ou vira um business forte e rentável, é outra discussão. Mas a base é a mesma.

A pergunta para qualquer investidor (e para qualquer founder) é: o motor de crescimento depende de mais venda… ou depende de mais resultado?

O que eu levaria do episódio, como founder

  1. Resultado é o produto. O resto é embalagem.

  2. Jornada completa vence feature. Inglês, currículo, entrevista, confiança: tudo entra no desenho.

  3. Você escolhe quem é seu cliente e paga o preço disso. A Coders escolheu o profissional.

  4. Mercado muda, mas o patamar pode subir. Remote e offshore amadureceram.

  5. Founder precisa escalar junto. De 10 para 80 pessoas, sua identidade precisa acompanhar.

Se você quer que eu extraia desse papo um “mapa de produto” (jornada, gargalos, métricas e loops de retenção) no padrão Kamelo, me diga que eu transformo a conversa em framework operacional.

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