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Escalar no mercado da saúde com estratégia e rede

O que a NeuroSteps aprendeu ao vender para clínicas e operadoras, e por que o vibee (UNIMED VTRP) virou uma ponte real entre inovação e decisão.

Olá, sou o Luiz. Com a venda da minha startup tenho atuado como advisor, apoiando founders na jornada de amadurecimento dos negócios. A kamelo é o espaço onde compartilho aprendizados (e práticas) do meu dia a dia, tudo focado na consolidação das startups no mercado. O conteúdo é autoral e aberto à colaboração, me chame aqui ou pelo LinkedIn.


Diagnóstico de autismo e outras neurodivergências cresce. Todo mundo sente isso. O que quase ninguém discute com honestidade é o “backstage” do cuidado: terapia intensiva, muitas horas por semana, múltiplos profissionais, família ansiosa por clareza, clínica tentando operar sem colapsar, e operadora pressionada por custo, auditoria e qualidade.

Esse mercado não falha por falta de boa intenção. Ele falha porque a jornada ainda é manual, descentralizada e pouco mensurável.

Na minha conversa com Ivan Junckes Filho, fundador da NeuroSteps, e com Rafael Zanatta, do vibee (hub de inovação da UNIMED VTRP), ficou óbvio que o jogo está mudando. Não por “IA” ou buzzword. Mas por uma tese simples: quando você coloca dados em cima do cuidado, você tira o tratamento da subjetividade e cria base para escala com responsabilidade.

No fim da introdução, o convite é direto: se você quer ler mais conversas e análises nesse nível, com tese, contexto e implicações práticas para founders, assine a Kamelo. É aqui que eu organizo o que aprendo no campo.

A jornada do Ivan

O Ivan não “caiu” em healthtech por acaso. Ele começou em Sistemas de Informação, entrou cedo no mercado de saúde (Conselho Regional de Medicina de SC), passou por empresas do setor, viveu cultura e inovação em estruturas grandes, trabalhou em empresas globais (incluindo IBM), liderou times remotos e se envolveu com comunidade técnica (palestras, trilhas, eventos).

Mas o ponto que importa para founder não é currículo. É o padrão.

Ele tentou empreender várias vezes em paralelo. Seis, sete tentativas. E aí veio o momento clássico: carreira boa, família formada, três filhos, conforto relativo… e a sensação de que não dava mais para adiar o sonho sem perder energia por dentro.

Ele saiu do emprego com uma reserva curta, chamou um parceiro e começou. Em maio de 2023, a empresa nasce com outra tese e outro nome, até encontrar o problema que valia o risco: a explosão de diagnósticos e a precariedade operacional da gestão terapêutica.

Founder experiente não se apaixona pela primeira ideia. Se apaixona pelo problema certo.

O que é a NeuroSteps?

A NeuroSteps é uma healthtech brasileira que digitaliza a jornada completa do tratamento de crianças neurodivergentes, especialmente no espectro autista.

Na prática, ela conecta quatro frentes que raramente conversam com dados:

  1. Clínica (gestão e execução da terapia)

  2. Profissionais (plano terapêutico, protocolos, rotinas, metas)

  3. Família e escola (visibilidade, acompanhamento, participação)

  4. Operadora (rastreabilidade, evidência, eficiência, auditoria)

O coração do produto é simples de entender: avaliar habilidades com protocolos padronizados, definir metas, executar atividades rastreáveis e medir evolução. Menos “parece que melhorou”. Mais “o que mudou, quando, por quê e com qual evidência”.

Isso tem um efeito colateral poderoso: reduz a subjetividade. E em saúde, subjetividade é onde mora quase todo conflito: família desconfiando do processo, clínica se defendendo, plano questionando custo, profissional pressionado por volume.

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Posicionamento bem definido

Um dos trechos mais fortes da conversa foi o Ivan dizendo que um valor central do negócio é “justiça”.

Parece abstrato, mas não é.

Justiça aqui significa: entregar o melhor cuidado possível, com eficiência operacional, e com comprovação do que foi feito. Isso protege o paciente. Protege o profissional. Protege a clínica. E protege a operadora de pagar por ruído, desperdício ou fraude.

Agora vem a parte que poucos founders aceitam: posicionar-se no meio do conflito é perigoso, porque você deixa de agradar um lado só. Você vira infraestrutura. E infraestrutura precisa sustentar tensão.

Mas se você quer vender para operadoras e escalar em saúde, é exatamente esse tipo de tensão que define quem sobrevive.

O vibee como acelerador estratégico

Aqui entra o Rafael e a peça que dá contexto para a trajetória da NeuroSteps: o vibee, hub de inovação da UNIMED Vale do Taquari e Rio Pardo.

O programa já realizou 8 batches, acelerou 86 startups, teve mais de 1.000 inscrições, ouviu pitches de mais de 200, e realizou mais de 600 mentorias. É equity free, gratuito e online, com trilha individualizada por startup. E o diferencial que importa mesmo: coloca founder frente a frente com tomador de decisão em ambiente seguro, com troca real.

A pergunta que sempre aparece é a mais saudável possível: “por que me conectar com uma estrutura ligada a corporação?”.

O Ivan responde com o que interessa: não dá para generalizar. E, no caso deles, a experiência foi o oposto do medo clássico (copiar, matar, enrolar). Foi leve, objetiva e transformadora.

Ele cita três impactos que eu gostaria que você guardasse:

  1. Aprendizado de linguagem e precificação com feedback direto de quem compra

  2. Intros e portas abertas dentro da rede (o que reduz ciclos comerciais)

  3. Piloto pago com KPIs (não só “POC”, mas evidência e case)

E é aqui que o vibee vira mais do que “aceleração”. Vira atalho de maturidade.

Batch 9 aberto!

As inscrições para o 9º batch do vibee ficam abertas até 27 de fevereiro de 2026. O funil é apertado (no último batch, 250 inscrições para 10 selecionadas), mas a lógica é simples: o não você já tem.

Se seu negócio tem qualquer relação com saúde, ou se você quer entender como corporates sérios operam inovação aberta sem teatro, eu trataria isso como oportunidade de rede e de aprendizado, mesmo que você não “encaixe” de primeira.

E se você for negado? Melhor. Você começa a construir relacionamento antes de entrar.

O papel do founder

No final da conversa, o Ivan descreve um movimento que todo founder sente, mas poucos narram bem: o papel muda.

No começo você é produto, suporte, vendas, operação, bombeiro. Depois, você vira estratégia, cultura, sistema de metas, indicadores e liderança. E se você não cresce na mesma velocidade que a empresa, você vira gargalo.

No caso da NeuroSteps, isso aparece em duas escolhas claras: valores como filtro de time e verdade como motor de venda. Menos técnica teatral. Mais convicção bem explicada e evidência no produto.

Isso, no fim, é o que sustenta uma healthtech que quer ser referência nacional: dados, cultura e ambição sem delírio.

— Luiz

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