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Evento sem estratégia não traz resultado

Marketing de eventos, experiência, memória de marca, diferenciação, planejamento, atenção, bootstrapping e tese de crescimento com investimento.

Olá, sou o Luiz. Com a venda da minha startup tenho atuado como advisor, apoiando founders na jornada de amadurecimento dos negócios. A kamelo é o espaço onde compartilho aprendizados (e práticas) do meu dia a dia, tudo focado na consolidação das startups no mercado. O conteúdo é autoral e aberto à colaboração, me chame aqui ou pelo LinkedIn.


Conversei com o Felipe Macedo Lemos, fundador e CXO da Alternativa F, e a tese do papo é simples (e incômoda): a lógica do conteúdo rápido que domina as redes sociais está empobrecendo o marketing de eventos corporativos.

Se você é founder, provavelmente já caiu nessa armadilha sem perceber.

Você trata evento como “mais um canal”. Entra com a cabeça de performance, de entrega rápida, de simplificação máxima. E sai com um encontro que até aconteceu, mas não gerou conexão, nem engajamento, nem memória. Só gerou agenda. E, no fim, agenda não vira posicionamento.

A Alternativa F é uma agência boutique de eventos corporativos com mais de uma década de estrada e um currículo que passa por marcas grandes, projetos no Brasil e fora, e um tipo de obsessão que falta no mercado: evento como produto de estratégia, não como execução de pauta.

No final das contas, essa conversa não é sobre “evento bonito”. É sobre diferenciação competitiva em um mundo onde tudo está ficando igual.


Se você quer mais conversas e análises nesse nível, do tipo que vira decisão prática no seu negócio, assine a Kamelo e venha construir esse repertório comigo.

Quem é Felipe?

Felipe se descreve como alguém que nunca saiu da infância criativa. Ele vendia desenhos quando criança, era movido por leitura, cinema, teatro. Essa linha vira carreira.

Ele passa por publicidade, começa no digital (na fase dos banners minúsculos e limitados), explora várias linguagens (redação, direção de criação, filme, marketing direto) e sente uma coisa que muita gente boa sente: “eu faço, mas quero entender o porquê”.

A resposta vem com estudo e método. Ele faz mestrado em Economia Criativa com foco em design e estrutura a própria intuição em técnica. E isso muda o jogo: quando você dá nome ao que faz, você consegue repetir com consistência, ensinar, escalar e vender valor, não esforço.

O que é a Alternativa F?

A Alternativa F nasce de um incômodo: o mais do mesmo.

Felipe descreve um mercado que replica fórmulas. Troca logo, troca cor, muda o cliente e entrega o mesmo evento. É o equivalente corporativo do template de pitch deck copiado de 2017.

A proposta deles é outra: construir “amarração”. Criar porquê. Criar jornada. Criar início, meio e fim. Storytelling aplicado ao evento.

E aqui está o ponto que interessa para qualquer startup: um evento corporativo é uma mídia, não um encontro.

Se você pensa evento como mídia, você entende três coisas:

  1. Você está comprando atenção coletiva, rara e cara.

  2. Você está moldando percepção e identidade em tempo real.

  3. Você tem a chance de amplificar discurso de forma exponencial.

Evento não é só para informar. É para criar vínculo.

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Aprendizado em momento de turbulência

Depois de 2020 a 2022, o mercado reaprendeu a se encontrar. Teve boom de presencial. Teve corrida para “juntar as pessoas”. E aí entrou o veneno.

Felipe chama de “simplificação”. Não como ofensa. Como diagnóstico.

A estética, o ritmo e a lógica de consumo das redes sociais começaram a contaminar a estratégia de eventos. Tudo virou mais rápido, mais simples, mais barato, com menos profundidade.

Só que evento não é feed.

Feed você disputa por segundos. Evento você disputa por memória.

Quando o evento vira “protocolo”, a empresa perde:

  • engajamento interno (principalmente em convenções e encontros de time)

  • retenção de talentos (porque cultura também é vivida, não só dita)

  • branding (porque sem experiência marcante não existe marca forte)

  • diferenciação (porque evento igual deixa marca igual)

E ele ainda traz um princípio que todo founder devia anotar: a pessoa precisa se sentir protagonista.

Num evento corporativo, o colaborador quer entender qual é o papel dele no futuro do negócio. Se ele só assiste, ele não entra. Se ele participa, ele lembra.

Bootstrapping para amadurecer e buscar investimento

A Alternativa F cresceu no bootstrapping. O “investimento” foi tempo, trabalho e consistência. Isso funciona. Até parar de funcionar.

Felipe reconhece o que muita empresa de serviço evita dizer: existe um teto de energia do sócio. Chega uma hora em que “mais demanda” não vira “mais crescimento”. Vira exaustão.

A pandemia abriu uma janela. Eles se reinventaram com eventos digitais e isso trouxe contato com um perfil de empresa mais tech, mais produto, mais interessada em escala. Na época, eles ficaram com o pé atrás (dependência tecnológica, custo, controle). Mas a semente ficou.

Hoje a visão é mais madura: investimento como parceiro de capítulo, não como dinheiro genérico. Um investidor bom entra para acelerar um plano claro, principalmente para abrir novas frentes como eventos proprietários, que trazem previsibilidade e construção de ativo no longo prazo.

A frase que eu sempre repito e que apareceu no papo: investimento é antecipação de resultado. Se não existe um resultado bem definido, o investimento só antecipa confusão.

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O papel do Felipe na Alternativa F

Felipe se vê como alguém inquieto. Um explorador. Obcecado por não virar “mais do mesmo”. E isso vira função no negócio: puxar o futuro.

Sua sócia, Ana Carolina, é o complemento inevitável. Produção, operação, entrega. Foco no que precisa ser feito hoje. Dois claros exemplos dos arquétipos de founders.

Esse arranjo é muito mais startup do que parece. Produto e go to market só funcionam quando existe tensão saudável entre visão e execução. Entre sonho possível e chão de fábrica.

— Luiz

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