A conversa com Ricardo Queiroz é um mergulho direto em um tema que deixou de ser periférico para se tornar estratégico: riscos psicossociais no trabalho. Ricardo, cofundador da Shawee e hoje CEO da Flora Insights, explica como transformar uma obrigação legal em vantagem competitiva, por que o timing do mercado está do lado de quem se antecipa e como decisões de captação e vendas mudam o jogo quando o produto resolve uma dor real. Se você lidera uma startup B2B, vale cada minuto.
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A jornada do Ricardo
Formado em publicidade, Ricardo empreendeu cedo, cofundou a Shawee (plataforma de hackathons), passou pela direção do Campus Party e tornou-se sócio da NextGen. Essa experiência em tecnologia, comunidade e operação deu lastro para uma virada: construir um negócio focado em saúde mental ocupacional com rigor, escala e entrega de valor para o cliente corporativo. Na entrevista, ele deixa claro o aprendizado acumulado: maturidade para decidir ritmo, parceiros e o que não fazer, mesmo com pressão por crescimento.
O que é a Flora Insights
A Flora Insights é uma plataforma digital pioneira em diagnóstico e gestão de riscos psicossociais ocupacionais. Combina diagnóstico técnico, análise automatizada e planos de ação aderentes à NR-01 e à LGPD. A metodologia própria foi validada oficialmente pelo IAUPE e nasce da experiência clínica da equipe são mais de 4.000 diagnósticos que sustentam o produto e seus relatórios executivos para RH, Segurança do Trabalho e comitês de risco/ESG. Em clientes com níveis baixos de risco, a Flora concede um Certificado de Risco Psicossocial Controlado, útil em auditorias e employer branding.
Momento de mercado
A atualização da NR-01 tirou o tema do “depois a gente vê” e levou para a mesa do C-level. Além de exigir diagnóstico e mitigação dos riscos psicossociais, a norma cria um trilho de maturidade organizacional e um prazo concreto de adaptação que pressiona as empresas a estruturarem dados, governança e ações contínuas. Para Ricardo, a pandemia escancarou um problema antigo: burnout e quadros depressivos são hoje vetores críticos de absenteísmo e queda de produtividade. A oportunidade está em medir o que antes era invisível e agir de forma técnica com anonimização, comunicação clara ao colaborador e acompanhamento periódico para verificar se as correções funcionaram.
A mensagem prática para founders: compliance é a porta de entrada, vantagem competitiva é a saída. Quem estrutura esse tema mais cedo reduz afastamentos, melhora percepção de liderança, ganha dados para decisões difíceis e sinaliza cultura sólida para talentos e clientes.
Sobre investimento
Ricardo foi direto ao ponto: captação sem clareza de alocação é receita para desalinhamento. A Flora priorizou sócios estratégicos (como um executivo referência em RH) em vez de fundos no estágio atual, buscando autoridade, canal e velocidade comercial não apenas caixa. Essa escolha reforça uma tese que founders subestimam: em B2B relacional, parceiro-investidor que abre portas certas encurta ciclo de vendas e melhora go-to-market. Fundos podem entrar depois, quando a necessidade for escala e o produto estiver em outro patamar de tração e governança.
Dica de founder para founder que emergiu do papo: se for “dinheiro pelo dinheiro”, talvez o banco seja melhor. Capital de risco é sociedade cultura, visão e horizonte de 5 anos precisam bater.
O papel de CEO nas startups
Quando o produto resolve uma dor “regulatória-estratégica” como riscos psicossociais, o trabalho comercial muda de patamar. Não é empurrar software; é orquestrar consenso entre múltiplos decisores (RH, Segurança do Trabalho, Jurídico, CFO, ESG) e traduzir norma em resultado de negócio. Na prática, o(a) diretor(a) comercial precisa:
Narrativa técnica-executiva: conectar NR-01 e LGPD a métricas que o board respeita (absenteísmo, produtividade, risco jurídico, marca empregadora).
Processo de venda consultiva: diagnóstico pré-venda, business case com baseline de risco, plano de mitigação e ROI de implementação.
Gestão de risco do pipeline: mapear o comitê de compra, objeções e critérios de auditoria; criar ativos de prova (POCs, relatórios modelo, certificações).
Pós-venda como aquisição: como há ciclos de reavaliação, o customer success vira alavanca de expansão e prova social, peça crítica para encurtar vendas futuras.
Essa disciplina comercial é o que transforma uma exigência legal em motor de crescimento previsível.
Fechando o loop
O papo com Ricardo é um lembrete do básico bem feito: clareza de tese, produto com evidência, vendas orientadas por risco e resultado e captação alinhada ao estágio. Saúde mental virou um capítulo central da agenda de eficiência e quem aprender a vender, medir e escalar isso agora vai liderar quando a fiscalização apertar.
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— Luiz











