Olá, sou o Luiz. Com a venda da minha startup tenho atuado como advisor, apoiando founders na jornada de amadurecimento dos negócios.
A kamelo é o espaço onde compartilho aprendizados e práticas do meu dia a dia, tudo focado na consolidação das startups no mercado. Tudo que publico aqui nasce do mesmo método que uso no advisory. Se quiser aplicar diretamente ao seu negócio, o diagnóstico gratuito está em konekto.cc. O conteúdo é autoral e aberto à colaboração, me chame aqui ou pelo LinkedIn.
Existe um momento específico na jornada de quase todo founder. A startup saiu do zero, o produto encontrou mercado, o time cresceu. E aí bate aquela sensação estranha: você contratou pessoas boas, tem clareza sobre onde quer chegar, mas a execução vai caindo no colo de todo mundo ao mesmo tempo. Os gestores não conseguem sair da operação. O turnover começa a subir. E ninguém entende direito o porquê.
Pablo Funchal viveu esse problema dos dois lados. Primeiro como executivo, assumindo uma gerência de 25 pessoas aos 24 anos. Experiência que, segundo ele mesmo, rendeu duas úlceras no estômago. Depois como co-founder da XGB, uma startup de realidade aumentada que foi adquirida pela Le Biscuit num processo de aquihiring. E hoje como CEO da Fluxus, consultoria que ele fundou em 2023 com um objetivo pouco usual para o mundo dos negócios: tornar a vida das pessoas menos miserável no trabalho.
Essa foi a conversa mais recente do Papo de Founder. Se você ainda não assiste, assina a Kamelo e fica por dentro de todos os episódios e dos bastidores estratégicos do ecossistema de startups brasileiro.
Da engenharia à liderança
Pablo vem de Garça, interior de São Paulo, fez Engenharia de Materiais na UFSCar, completou estágio na Alemanha e emendou o mestrado. O caminho parecia claro. Mas em 2016, um amigo que trabalhava no Google nos EUA chamou para fundar uma startup de tecnologia focada em realidade aumentada e realidade virtual. Era o começo da XGB.
A startup chegou a captar R$ 550 mil num valuation de R$ 5,5 milhões via equity crowdfunding. O cheque entrou na conta e em seguida veio a pandemia. A empresa fazia ativações presenciais com realidade aumentada. “Ferrou, cara”, resume Pablo.
O que veio depois foi o ciclo clássico da resiliência de founder: pivotagem, aprendizado, transição de papel. Pablo virou CEO da XGB, conduziu o processo de negociação para aquisição, mudou para Salvador para construir o Lelabs, laboratório de inovação e tecnologia da Le Biscuit. E saiu de lá com uma convicção bem mais sólida sobre o que realmente move negócios: a qualidade das lideranças.
O que é a Fluxus e quem ela atende
Pablo Funchal fundou a Fluxus ao lado de Joyce Romanelli, Luciano Santos e mais dois sócios com histórico de construção e venda de empresas relevantes. O Antônio, sócio herdeiro da Beta Learning (empresa vendida para a ClearSale por acima de R$ 50 milhões), e Túlio, fundador da Raccoon, maior agência de marketing digital do Brasil, também adquirida.
A tese da Fluxus parte de uma observação simples, mas que poucos negócios levam a sério: empresas com boas lideranças têm menos turnover, mais engajamento, e entregam resultados consistentemente melhores. Não é soft. Há dados. As empresas listadas no ranking Melhores do Brasil performaram 80% acima do Ibovespa em dez anos.
O produto principal da Fluxus é a Academia de Líderes, uma formação B2B estruturada em torno dos chamados cinco Cs: comunicação, clareza, cuidado, coerência e coragem. A formação combina aulas gravadas, workshops presenciais e estudos de caso ao vivo. O cliente não compra teoria, compra mudança de comportamento com métrica de resultado.
O ICP é bem definido: startups e empresas em crescimento acelerado, entre 50 e 200 colaboradores, que dobraram de tamanho e viram suas lideranças não acompanharem o ritmo. O perfil que Pablo descreve é preciso demais para ser ficção: todo mundo na camada de gestão é técnico, promovido pela entrega individual, nunca treinou para liderar. Toda hora desce para a operação. O time aplaude, o ego agradece, mas o negócio trava.
Investimento, erros e como o mercado reconhece o produto
A Fluxus nasceu já com investidor. Pablo reconhece que isso muda muito o ponto de partida. Não elimina a cobrança (pelo contrário), mas cria margem para testar o modelo sem o desespero de gerar caixa nos primeiros meses. Para ele, essa segurança é o que permite ao founder se comprometer de verdade com o projeto em vez de estar sempre de olho na próxima oportunidade.
Os erros aconteceram, especialmente no reconhecimento de mercado. Fazer as empresas entenderem que liderança consciente não é sinônimo de ambiente permissivo ou de RH fazendo dinâmica é um trabalho constante. “É mais fácil mandar do que explicar por quê. Mas no longo prazo, o que gera mais resultado?”, questiona Pablo.
A resposta aparece nos feedbacks dos clientes: mais feedbacks registrados, 1:1s que param de ser cancelados, metas que começam a fazer sentido para quem precisa bater.
O líder que sabe quando sair do lugar
Talvez o ponto mais interessante da conversa tenha vindo no final. Pablo se define como “definidor de ritmo”, perfil executor, de fazer acontecer, de bater na porta de todo mundo pedindo mentoria. Mas junto com isso veio uma percepção que é rara em qualquer founder: o perfil que a Fluxus precisa hoje pode não ser o que ela vai precisar daqui 18 meses.
Não é falta de confiança. É maturidade. Saber que a função importa mais do que a posição é o tipo de autoconhecimento que a própria Fluxus ensina e que Pablo claramente internalizou.
— Luiz











